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Entrevista: "Libras não é Português com as mãos"




Apesar da população com deficiência auditiva ser um número expressivo e da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ser reconhecida por lei desde o ano de 2002 em todo território nacional, a língua ainda é pouco conhecida pela maioria dos brasileiros, o que tornar a vida de pessoas que precisam dela para se comunicar mais difícil.


Para entender mais sobre os avanços e dificuldades da disseminação da Libras, o portal Avoador conversou com Carine Gurunga, de 34 anos, que é intérprete do Instituto Federal Baiano da cidade de Itapetinga (BA).

Carine Gurunga é intérprete do Instituto Federal Baiano | Foto: Arquivo pessoal

Ela aprendeu a língua de sinais aos 16 anos para traduzir os cultos às pessoas surdas da igreja onde frequentava. Desde então seu interesse, só aumentou, fez graduação em Letras Vernáculas com seu trabalho de conclusão de curso sobre Libras, uma especialização em Libras e Educação de Surdos direcionada ao atendimento educacional especializado, uma segunda graduação em Letras Libras, um mestrado em Linguística e, atualmente, é doutoranda em Linguística.


O que é a linguagem brasileira de sinais e como ela surgiu?

Para começar, Libras não é linguagem. A nomenclatura correta é Língua Brasileira de Sinais, justamente por ser reconhecida como língua dentro dos estudos linguísticos, assim como todas as outras línguas naturais. Quando pararam de matar os surdos e os excluírem da sociedade, eles tiveram a necessidade de se comunicar com seus pares, através dos olhos e das mãos, assim as línguas de sinais foram nascendo. A brasileira, especificamente, começou a se consolidar com a criação da primeira escola de surdos no Rio de Janeiro, em 1856.


Assim como não chamamos nossa língua de Linguagem Portuguesa, a Libras também não deve ser chamada de linguagem, pois ela é uma língua e apresenta todas as regras gramaticais que as outras línguas. Não são gestos soltos ou mímicas. Existe um sistema linguístico para ela funcionar. Por outro lado, a Libras não é um “jeito” de falar Português com as mãos, são duas línguas completamente diferentes estruturalmente, uma não tem relação nem dependência com a outra. Cada uma funciona muito bem sozinha.


Apesar de ser uma língua autônoma e reconhecida por lei, por quê o conhecimento e o uso de Libras é pouco difundido no Brasil?

Não acho que a Libras seja pouco difundida, acho que há pouco interesse das pessoas em procurarem aprender. Não é difícil encontrar um curso gratuito ou particular de Libras, tanto presencial quanto online.


Você acredita que a Libras deveria ser ensinada nas escolas como segunda língua assim como o inglês ou o espanhol?

Acredito sim. Deveria ser ensinada nas escolas como segunda língua para os alunos ouvintes e acredito também que deveria ser ensinada nas escolas como primeira língua para os alunos surdos.


O que pode ser feito para que o conhecimento sobre libras alcance pessoas fora da bolha?

Realmente, não sei a resposta para essa pergunta. Entretanto, com o advento da tecnologia e da pandemia da covid-19, a Libras ganhou muita visibilidade, e vemos hoje pelo menos as pessoas sabendo do que se trata. Antigamente, as pessoas não sabiam nem diferenciar Libras e Braille, chamavam surdos de surdo-mudo. Hoje, ainda vemos esses equívocos, mas existe uma discussão sobre esses assuntos.


Se alguém tiver interesse em estudar Libras, como começar?

Comece procurando contato com as pessoas surdas, conhecer um surdo já ajuda a pôr a conversação em Libras em prática e, depois, procure um curso, existem cursos gratuitos, presenciais e on-line de fácil acesso.



 

Equipe LIBRAS-SE, com Avoador

tradução de vídeos para Libras em 24h

www.libras-se.com


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